Quando pintar seu cabelo de vermelho se torna uma saída de emergência para alguma mudança, é hora de parar para pensar. Você quer realmente o quê para sua vida mesmo? A gente começa a descobrir um pouco mais sobre nós mesmos e já nos enfiamos gratuitamente em uma busca furtiva por mudança. Como se não gostássemos do que vemos. E realmente, não gostamos. É difícil engolir o que representamos, porque, aliás, no fundo: é tudo o que temos. Muito mais cômodo (e clichê) eu falar que é preferível manter como está. Fingir que não dói, fingir que não incomoda. Fingir que é só você que nota. Fingir que você enxergou agora, mas já sabia que era assim mesmo, porque afinal de contas, todos ficam te lembrando, não é mesmo? Não. As pessoas não enxergam tão bem assim. É como se 90% da população tivesse uma hipermetropia e miopia de ambos os graus, 5. A gente enxerga tudo errado e essa é a fatal verdade. Levamos anos para tomarmos coragem para aprender sobre nós mesmos, essa é a pior. Por quê? Oras, queremos que os outros aprendam a lidar com nós mesmos! Tão simples! É de dar risada. Podem até conseguirem no primeiro tempo, mas trocando de campo tudo pode mudar e eles se perdem também, e a gente fica com raiva. Como ousam não saberem lidar com nossos defeitos, limitações, angústias, frustrações de infância, pais controladores, mau humor, tpm e felicidade?! Crime capital, ehn? Nem nós mesmos sabemos. Quanto egoísmo em uma pessoa só. E nos passamos por psicólogos particulares de nossos amigos, como sendo donos da verdade. E damos o melhor exemplo. E somos voluntários de causas nobres. E ouvimos músicas alternativas e discutimos a qualidade técnica dos sons dos anos 60. E olhamos para os outros, e para seus partidos, e em quem os outros votaram em suas últimas eleições. Ou, qual foi último livro com conteúdo que você leu, digo, conteúdo mesmo, não esses romances romancistas banais. Ah, que insuficiente você. Você.
Não quero olhar para mim. Prefiro pintar meu cabelo e mudar a forma como os outros veem meu rosto e esconder o que eu acabei de descobrir: eu mesmo.
Out of Wits
insight aleatório.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
domingo, 8 de maio de 2011
Bluebird
there's a bluebird in my heart that wants to get out, but I'm too tough for him,
I say, stay in there, I'm not going to let anybody seeyou.
there's a bluebird in my heart that wants to get out
but I pur whiskey on him and inhale cigarette smoke
and the whores and the bartenders
and the grocery clerks
never know that he's in there.
there's a bluebird in my heart that wants to get out
but I'm too tough for him,
I say,
stay down, do you want to mess me up?
you want to screw up the works?
you want to blow my book sales in Europe?
there's a bluebird in my heart that wants to get out
but I'm too clever, I only let him out at night sometimes
when everybody's asleep.
I say, I know that you're there,
so don't be sad.
then I put him back,
but he's singing a little in there,
I haven't quite let him die
and we sleep together like that with our secret pact
and it's nice enough to make a man weep,
but I don't weep,
do you?
Charles Bukowski
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Alaranjado
"I miss your kiss. I miss your warm arms stucking me on your love."
Morgana chorava. Esta frase fora rabiscada um um papel reciclado, entregue a ela três anos atrás. Hoje sua garganta não está tão bem, ela precisa de um chocolate quente e seu velho walkman, cujo nem encontra-se mais a vender nas lojas.
A poltrona antiga, com uma capa jogada por cima, tampando os rasgos que seus dois gatos fizeram. Os cds empoeirados acumulados desde sua adolescência.
Hoje tocava Alanis Morissette. O dia inteiro. A única cantora que não a fazia lembrar dele. Ou realizava isso com menos frequência que as outras.
Aliás, oito anos deram o que pensar. Deram o que refletir, deram o que magoar e fazer rir. Talvez não na mesma proporção, mas ainda sim, não deixava de ser amor.
Nunca deixou...
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Como reconhecer o pós-moderno:
Se de algum modo você consegue definir se o quadro está de cabeça para baixo ou não - é pintura pós-moderna.
Se você entende tão bem como quando lê uma bula de hidropitiasinolfoteína - é literatura pós-moderna.
Se você vê, vira e revira, e o sentido está no revirar e não no dito - é poesia pós-moderna.
Se você tem de segurar a tampa enquanto faz xixi, é design pós-moderno.
Se você devolve ao bombeiro hidráulico pensando que é uma ferramenta esquecida, e depois descobre que é um presente do seu gatão - é escultura pós-moderna.
Se chove dentro - é arquitetura pós-moderna.
Se você fracassa porque procurava exatamente a antivitória - é filosofia pós-moderna.
Se você pratica homossexualismo não por formação ou destinação biológica, mas por experimentalismo sadomasoconiilista - você é uma boneca pós-moderna e muito louca, bicho!
Millôr Fernandes (1994)
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