Quando pintar seu cabelo de vermelho se torna uma saída de emergência para alguma mudança, é hora de parar para pensar. Você quer realmente o quê para sua vida mesmo? A gente começa a descobrir um pouco mais sobre nós mesmos e já nos enfiamos gratuitamente em uma busca furtiva por mudança. Como se não gostássemos do que vemos. E realmente, não gostamos. É difícil engolir o que representamos, porque, aliás, no fundo: é tudo o que temos. Muito mais cômodo (e clichê) eu falar que é preferível manter como está. Fingir que não dói, fingir que não incomoda. Fingir que é só você que nota. Fingir que você enxergou agora, mas já sabia que era assim mesmo, porque afinal de contas, todos ficam te lembrando, não é mesmo? Não. As pessoas não enxergam tão bem assim. É como se 90% da população tivesse uma hipermetropia e miopia de ambos os graus, 5. A gente enxerga tudo errado e essa é a fatal verdade. Levamos anos para tomarmos coragem para aprender sobre nós mesmos, essa é a pior. Por quê? Oras, queremos que os outros aprendam a lidar com nós mesmos! Tão simples! É de dar risada. Podem até conseguirem no primeiro tempo, mas trocando de campo tudo pode mudar e eles se perdem também, e a gente fica com raiva. Como ousam não saberem lidar com nossos defeitos, limitações, angústias, frustrações de infância, pais controladores, mau humor, tpm e felicidade?! Crime capital, ehn? Nem nós mesmos sabemos. Quanto egoísmo em uma pessoa só. E nos passamos por psicólogos particulares de nossos amigos, como sendo donos da verdade. E damos o melhor exemplo. E somos voluntários de causas nobres. E ouvimos músicas alternativas e discutimos a qualidade técnica dos sons dos anos 60. E olhamos para os outros, e para seus partidos, e em quem os outros votaram em suas últimas eleições. Ou, qual foi último livro com conteúdo que você leu, digo, conteúdo mesmo, não esses romances romancistas banais. Ah, que insuficiente você. Você.
Não quero olhar para mim. Prefiro pintar meu cabelo e mudar a forma como os outros veem meu rosto e esconder o que eu acabei de descobrir: eu mesmo.
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